Doutora Jô (endocrinogista)
Ao aumentar o número do manequim, muda-se a vida. Diminui a atividade fisica porque é difícil exercitar-se com todo o excesso de peso. Olhares ansiosos de terceitos indagam:
- O que essa gordinha faz nessa academia?
Ou:
- Será que ela acha que vai emagrecer com isso?
À crítica expressa no olhar soma-se a crítica interna e isso faz com que o interesse pela atividade física vá diminuindo cada vez mais. E, para não ficar tão exposto à dor e ao mal-estar que isso gera, procuramos um meio de compensar esse "sentimento" ruim: o comer é agradável e aumentamos automaticamente a frequência do comer.
Ao analisarmos com mais cuidado, vamos vendo que não somente a dor é compensada com a alimentação, mas também a ansiedade e o estresse do dia-a-dia: a depressão, o nervosismo, a angústia, a perda, a alegria, a culpa, a frustração. Vamos canalizando tudo para, no sentido contrário, a fome vir cada vez maior.
Não é mais prazeroso comprar roupas, se arrumar, a imagem refletida é angustiante e frustradora.
Maquiar-se parece inútil: olhamos, mas não nos enxergamos.
Sensualidade é coisa de p...: comigo isso não existe, não preciso disso!!!
Dançar, nem se fala: cansa-se fácil e tem também a desculpa (ou não) da pressão alta. Da falta de ar, do reumatismo, do joelho e dos pés que reclamam.
Ah, que fome que dá pensar em tudo isso, pensar em mudar: que dor de cabeça!
É preciso mudar o rumo da "bola de neve": bem lá dentro, há alguém carente de orientação e cuidados para brotar sentimentos, renascer. Resgatar os próprios valores tão esquecidos.
Achar que vale a pena tentar novamente: vibrar com cada passo dado, olhar para o espelho novamente e enxergar, achar-se digno de respeito, se gostar, ter T pela vida e cada dia que chega e, simplesmente viver.
(Diário de um Magro - Mario Prata)
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